Ela quer navegar como uma velha que veio de tempos modernos, de invenções milagrosas livres do apocalipse.
Ela quer escrever
cartas como quem demora dizer para alguém que sabe esperar. Só para que a
preguiça de ir ao correio lhe possa aconselhar melhor enquanto rói as unhas.
Ela quer ver um álbum
e não encontra as fotos. As imagens se perderam aos milhares na nuvem. Estão
escondidas ou por demais deleitadas sem nenhuma armadilha da memória.
Ela quer escutar um disco.
Mas melodias não recortam momentos, não os tomam emprestados. As músicas não tecem
teias, vagam de pessoa a pessoa, nos headphones.
Ela queria mesmo é esperar
o amor sem correspondência ficar on-line no MSN para saber que música ele está
ouvindo e se mimetizar. Não ficar obcecada esperando que ele diga a cada
momento o que faz.
Mesmo sem ninguém
sentar na calçada e os olhos não estarem na janela enquanto ele passa, ela quer
navegar como uma velha que espera o continente chegar.
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