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Li da tradutora Regiane Winarski no ‘Threads’: “De todas as coisas que eu achei
que poderia ver na vida, nazismo não era uma delas”. Então... a gente tenta
fingir normalidade depois de escutar no ensino médio uma visão maniqueísta da história
de que o oriente era o mal e o ocidente era o bem. Mas nunca, na verdade, estas
linhas éticas estiveram tão bem divididas como pretendiam, embora a sensação de uma geração
fosse esta. E a gente sempre soube ou intuiu, a complexidade da verdade.
Se você simplificar para opinar cairá num moralismo. E se você quiser explorar muito cada lado da questão não conseguirá se posicionar. Ficará em cima do muro. O que é muito confortável dada as alturas. Mas não é eticamente aceitável já que a presunção de perfeição que isto envolve faz de nós répteis pegajosos e de sangue frio à sombra do conservadorismo. Então, não adianta! Sem inocentes para mim. É melhor surfar nos paradoxos como os passarinhos em poças depois da tempestade.
Parece que a gente está saindo de um chá revelação de nazismo depois da posse do segundo mandato de Donald Trump, né? Que ressaca, meu pai! Eu, principalmente, porque fiquei de biquini festejando o fim de semana todo num sítio sem lembrar da existência da internet com o único esforço de não deixar minha voz esganiçada piorar o coral que se formou em torno de um piano, um violão e uma flauta.
Mas a verdade é que não precisa fingir normalidade ou encarar revelações. É só olhar bem e ser terrivelmente sincera. O mal se espreita é no cotidiano, nessa capacidade humana de se autodestruir (lê-se pulsão de morte em Freud). Que também é o tipo de expressão de não querermos nunca que nada aconteça para que a gente fique sempre numa boa.
A nostalgia é uma máscara e não existe “tempo bom”. É que a felicidade são [SIC] faíscas fantasmagóricas que nos abatem e nos dão o choque necessário para que deixemos dormentes certas emoções e possamos sobreviver às reviravoltas da História. Não perdura por um ano ou uma década, quando muito dura horas numa festa e culmina numa ressaca terrível.
Para se ter perspectiva de futuro é preciso abandonar a idealização do passado.
Dizem que o peixe “fugu”, famoso baiacu, tem uma carne apreciada como uma iguaria cara, apesar de conter veneno mortal. Os órgãos do peixe, assim como a pele, o sangue e os ossos, contêm altas concentrações de um veneno mortal conhecido como tetrodotoxina. É preciso, portanto, saber prepara-lo para degustar.
É assim a vida. E ter saúde é saber passar a lâmina para não deixar que o veneno ponha fim aos nossos dias.

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