Ontem a Mostra de Cinema de Tiradentes começou com a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL), dando uma definição de cultura muito forte: "Cultura não é só o que a gente faz, mas também o que a gente é". Nesse ano em que encontramos um cinema festivo num filme com nosso passado exposto pelo recorte da história nacional através de uma família de classe média vítima da violência de estado, a frase caiu como um tratado.
Da plateia um Leonardo Boff aguardava pacificamente a solenidade muito longa, devo criticar. Inclusive as performances estavam carecendo de certa direção. Mas tudo bem, explico. Depois de 10 anos sem patrocinar o evento, a Petrobrás retornou. Acredito que empresas de outros anos também se mantiveram. E era muita gente para subir ao palco! Mais um tanto de parceiros e convidados. Demorou bastante e a gente ficou lá porque o Oscar esse ano é a Copa do Mundo.
E aí você vê o quanto essa indicação para a premiação norteamericana significa. Eu preferiria que não precisássemos da chancela de Hollywood para nos reconhecer, contudo o significado é muito mais forte que os meus quereres. São muitas camadas, mas acho que quando a organizadora do evento Raquel Hallack pediu ao Congresso Nacional, representado na plateia pelos deputados federais Reginaldo Lopes (PT) e Benedita da Silva (PT) agilidade na regularização das plataformas de streaming, acho que o ato refletiu todo um setor empoderado, que está com fôlego renovado, depois de tanta luta, para superar suas dificuldades e ganhar mais espaço mundial. Quem respondeu ao apelo de Hallack foi a secretária do audiovisual Joelma Oliveira Gonzaga, que mostrou muita energia para lidar com a querela.
Nos concentramos nos ânimos, no entanto, na alegria e na festa que é a melhor resposta para o sombrio que nos persegue como nódoa. São 28 anos de um evento que privilegia as produções independentes e traz o cinema para a pequena cidade. O telão no meio da praça com histórias deste país continental é mágico! Periféricos, minorias, indígenas, estamos todos aqui.
A oportunidade está no nosso quintal com mais de 300 veículos de imprensa presentes. São cerca de 100 jornalistas na cidade, esta que faz parte de um "deserto de notícias". Sem falar nas festinhas, que além das rabas rebolantes também propiciam muito network para esta arte que se faz coletiva. E agora, com a assinatura do projeto "Cinema sem Fronteiras" pra 2025, acho que a sétima arte nos traz esses bons ventos de otimismo para soprar as caravelas da poesia.
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